30 de mar de 2012

20 anos sem Herbert Daniel: da morte civil à solidariedade no enfrentamento do HIV/AIDS‏

20 anos sem Herbert Daniel: da morte civil à solidariedade no enfrentamento do HIV/AIDS

          Neste dia 29 de março, faz 20 anos que o sociólogo, jornalista e ativista político Herbert Daniel morreu e, passado todo este tempo, suas reflexões sobre o viver com HIV/AIDS, estigmatização e solidariedade continuam mais que atuais, sobretudo diante dos últimos acontecimentos no Brasil, entre retrocessos, práticas discriminatórias e censuras. Herbert Daniel nasceu em 14 de dezembro de 1946, em Belo Horizonte (MG), foi estudante de medicina na Universidade Federal de Minas Gerais e, durante os anos de ditadura militar, foi guerrilheiro político, participando da luta armada e tendo sido exilado do país. O ativista regressou ao Brasil em 1981, militando no Partido dos Trabalhadores (PT) e, depois, sendo um dos/as fundadores/as do Partido Verde (PV), na década de 1980.

          Também na década de 80, Herbert Daniel, a convite do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, integrou a equipe da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA), onde colaborou para o desenvolvimento de projetos e análises sobre o contexto político da saúde e da AIDS. Além disso, ele também fez parte da criação de outras organizações atuantes em torno da epidemia, como no caso do Grupo Pela Vidda do Rio de Janeiro.

          Juntamente com outros/as ativistas atuantes no campo do HIV/AIDS, Herbert defendeu que a luta contra a AIDS deveria envolver toda a população brasileira, não apenas pessoas soropositivas, a partir de uma consciência política e da solidariedade. Era com a solidariedade também que, para ele, os processos culturais de produção de estigmas e discriminação que levavam a morte civil – em referência à situação de vulnerabilidade a qual pessoas soropositivas estavam expostas em função do silêncio em relação à doença e aos preconceitos – seriam eliminados. 

         Por reconhecer a importância de Herbert Daniel para o enfrentamento da epidemia ainda nos dias de hoje, em que se completa 30 anos de AIDS no Brasil, a ABIA presta essa homenagem ao ativista e, neste informe especial, resgatamos a seguir alguns trechos e falas emblemáticas dele, compartilhando também links e outros conteúdos.


"A grande vacina contra a AIDS é a solidariedade".

"Os doentes de AIDS não são condenado à morte, eles são condenado à morte civil, como as crianças abandonadas são condenadas à morte civil, como gente que recebe salário é condenado à morte civil, como muitos discriminados de muitas ordens são condenados à morte civil".


"
Com muito prazer combato nessa luta. No corpo. E naquilo que, além do corpo, garante seu prazer: a liberdade".


    Durante o dia de hoje, promoveremos nas redes sociais da Abia um twittaço em homenagem a Herbert Daniel com a hashtag: #20anossemHerbertDaniel

    Serão postadas as frases mais marcantes do pensamento desse importante ativista político, que foi um dos grandes nomes do período de redemocratização do Brasil.

    Participe você também! Tweet #20anossemHerbertDaniel! E mantenha a viva essa memória!
 
 
 
    
 

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