26 de jan de 2012

Ator estreia como transexual filho do presidente em "O Brado Retumbante"

DE SÃO PAULO
Quando o paranaense Murilo Armacollo, 24, soube que iria interpretar Júlio/Julie, o filho transexual do presidente Paulo Ventura na minissérie "O Brado Retumbante" (Globo), sua primeira reação foi ligar para a família.
"Contei para a minha mãe, e ela me disse: 'Você sabe a responsabilidade que vai ter com esse personagem, né?'"
Murilo sabia. E ficou nervoso. "É um papel muito difícil, e era um mundo muito distante de mim", contou à coluna Outro Canal, assinada interinamente por Marco Aurélio Canônico e publicada na Folha deste domingo (22).
A íntegra da coluna está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.
Para somar ao nervosismo, é sua estreia na TV --com formação teatral, ele passou por musicais da Disney e teve papéis menores em "Hairspray" (2009), "Aladdin" (2010) e "New York, New York" (2011).

João Miguel Jr./Tv Globo

  
O ator Murilo Armacollo, que veio do teatro, estreia na Globo na pele da transexual Julie em "O Brado Retumbante"
O ator foi buscar segurança para interpretar o papel fazendo laboratório com transexuais e entrou em contato com uma realidade triste.
"Ouvi várias histórias de preconceito, agressões, não aceitação da família, de meninas que tentam a sorte no exterior, de cirurgias malsucedidas. É um mundo cruel."
Segundo ele, Julie vai sofrer tudo o que uma transexual sofre nas ruas. "É polêmico, mas acredito que o Brasil vai se comover com a história."
Além dos estudos para compor a mente e a personalidade de Julie, Murilo teve de se preparar fisicamente --a primeira coisa que fez foi perder 15 quilos em poucas semanas; com 1,75 m de altura, passou de 75 kg para 60 kg.
"A transexual é uma mulher presa num corpo de homem. Eu tive de modelar o corpo, afinar as curvas. A gente trabalhou os movimentos, tive algumas aulas e assisti a todos os filmes de Marilyn Monroe para pegar gestos."
O resultado começa a ser visto na próxima terça. Murilo gostaria que a série levasse os espectadores à reflexão. "Quero que essas meninas sejam tratadas com igualdade, que possam encontrar emprego, por exemplo."

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