7 de jan de 2012

Transexualismo, um pouco do resgate histórico

A Grécia Antiga pode ser considerada a primeira civilização a registrar a temática da transexualidade (Bruns e Pinto, 2003; Gregersen, 1983). Trata-se dos eunucos, escravos, cuja função societária estava relacionada ao sacerdócio no templo da Deusa Afrodite (Graziottin e Verde, 1997; Peres, 2001). Para tanto, era necessária a extirpação dos testículos e do pênis, além da adoção de uma identidade feminina, já que seriam sacerdotisas e guardiãs de um local estimado como sagrado.

A motivação estava associada a uma tradição da época, que prezava a castidade e servilismo daqueles “privilegiados” como sacerdotisas. A mitologia que envolve a figura de Afrodite pode ser entendida como outro motivo para a transexualização dos eunucos. O mito privilegiava os homens que possuíam corpo masculino, mas a alma feminina, além do próprio filho da deusa em questão ser chamado de “hermafrodita” – uma combinação de Afrodite com Hermes – e apresentar em sua visualização corporal seios e um pênis simultaneamente (Graziottin e Verde, 1997; Silva, 2008).
A transexualização relacionada a figuras religiosas não é uma exclusividade dos eunucos, estendo-se a outras regiões como a Frígia e Índia. Na primeira, havia o culto ao Deus Átis, cujos sacerdotes retiravam os pênis e testículos como forma de sacríficio, no intuito de sentir o mesmo castigo ofertado ao seu deus. No caso das Hijras, transexuais indianas, o processo transexualizador está conexo a visão de entidade divina atribuída àquelas que conseguem “ser homem e mulher concomitantemente”. Ainda hoje, as Hijras são encontradas na Índia, porém tratadas de forma dúbia pela sociedade indiana. São consideradas figuras divinas, convidadas para abençoar as residências, mas ao mesmo tempo renegadas à prostituição (Ceccarelli, 2008; Chiland, 2008).

Aleksandra Salviano
Avaliadora em Saúde
Núcleo de Regulação, Avaliação e Controle
Secretaria Municipal de Saúde
Prefeitura Municipal de Hortolandia

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