7 de jul de 2011

Paciente HIV+ passa por três hospitais e não consegue atendimento

Hospital do Andaraí, UPA da Tijuca e Souza Aguiar não tinham médicos.
 
No último domingo (3 de julho), a paciente xxx foi levada por sua irmã ao Hospital do Andaraí, com dores lancinantes, devido a complicações graves na sua saúde. Segundo relato, a paciente foi levada duas vezes a esse hospital, mas em ambas as visitas, não conseguiu ser atendida devido a falta de médicos no local. Na seqüência, foi levada até a Unidade de Pronto Atendimento da Tijuca (UPA-Tijuca). Mais uma vez, não havia tratamento disponível e a paciente foi orientada a voltar ao mesmo hospital onde já tinha tentado por duas vezes ser atendida.
 
A paciente então foi levada por sua irmã a um novo hospital, dessa vez o Souza Aguiar. Novamente, não seria atendida. A justificativa: não há médicos! Após pressão, o hospital pôs a paciente no setor de emergência para receber primeiros socorros e fazer exames. Os exames constataram uma grave insuficiência renal, que demandava internação e cuidados imediatos. Ainda no domingo, passou por uma seção de hemodiálise e depois foi transferida para sala vermelha da enfermaria. No dia seguinte, foi levada ao setor de nefrologia. Quando liberada para receber visitas, novos absurdos aconteceram. A paciente, que sofre com insuficiência renal aguda, foi encontrada suja de fezes deitada em uma cama, apenas sobre o colchão. Os parentes reclamaram e a médica nefrologista disse que a paciente teria de descer novamente para uma enfermaria da emergência para se fortalecer, antes de ingressar na enfermaria de nefrologia. Assim foi feito. Ela desceu para uma enfermaria da emergência.
 
O marido da paciente, no mesmo dia, saiu e comprou um novo edredom, camisola e fraldas, porém, quando retornou no dia seguinte, encontrou a paciente novamente em péssimas condições e, perplexo, viu que tudo que havia sido comprado tinha sido roubado dentro do próprio hospital.
 
O que vemos acontecer no Sistema Único de Saúde do Rio de Janeiro não pode mais ser considerado simplesmente como descaso ou irresponsabilidade. O caos instalado é uma afronta para com a população e mostra como a demagogia e incompetência do governo estadual estão definitivamente arruinando a saúde pública no Estado do Rio de Janeiro e, paradoxalmente, adoecendo ainda mais a população. Quem consegue manter a saúde equilibrada pagando por serviços que são prestados em condições subumanas? 
 
 
Mais informações: abia@abiaids.org.br / (21) 2223 1040
 
 
 
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